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Você é o que você aplica!

Doses supra fisiológicas de esteroides por si só são mais eficientes que a musculação. Entenda por que.

Você é o que você aplica!

No mundo do treinamento resistido é cada vez mais popular o uso de uma série de recursos ergogênicos com o objetivo de maximizar os efeitos hipertróficos conseguidos pelo exercício. Um dos mais populares desses recursos são os esteroides anabolizantes.

 

Quase tão populares quanto os suplementos alimentares, os esteroides se diferem dos suplementos em dois aspectos: são mais caros e infinitamente mais efetivos. Entretanto eles ainda sofrem uma certa “marginalização”. E isso eu não sei explicar. Enquanto é legal tomar suplemento e dizer que tais ganhos foram obtidos com o “Whey De-Tal-Marca” ou que o emagrecimento foi conseguido com a “L-Carnitina De-Tal-Fabricante”, o mesmo crédito não é dado para os esteroides. Mesmo que, nesse caso, os ganhos foram EM SUA MAIORIA ESMAGADORA obtidos com eles.

 

Mas antes que alguém fale que isso é preconceito de minha parte, que só tomar esteroide não funciona se não tiver treino, e que por eu nunca ter tomado tal tipo de medicamento eu não sei do que estou falando, vamos aos fatos:

 

Em 1996 Bhasin e colaboradores realizaram um estudos que propôs investigar os efeitos do exercício, do esteroide e do exercício + esteroide na massa muscular de indivíduos treinados. O bacana desse estudo é que os autores tiveram o cuidado de controlar quase todas as variáveis que pudessem interferir nos efeitos dos diferentes tratamentos. Eles controlaram a ingestão dietética ao longo do estudo (10 semanas), pediram que nas 6 semanas antes do estudo, ninguém realizasse exercícios resistidos (evitando assim diferentes níveis de treinamento), todas as sessões foram supervisionadas (para evitar treinos mais ou menos intensos), os aumento de massa muscular foram mensurados por ressonância magnética, membros inferiores e superiores foram avaliados e um grupo de controle, que não fez exercícios nem recebeu esteroides, foi adotado.

 

Todo esse cuidado impediu que se pudessem fazer críticas ao estado nutricional, ao nível de, a qualidade do treino e a precisao da medida adotada para se verificar os ganhos (veja o quadro abaixo).

 

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Os resultados demonstraram que o grupo que realizou o exercício e recebeu esteroides (uma dosagem 6x maior do que a adotada em terapias de reposição hormonal – 600mg testosterona/semana) apresentaram os maiores resultados de ganhos de massa muscular. Os indivíduos tiveram um aumento de +6kg de massa total, sendo +4,9kg de massa muscular, com um aumento de +12,6% na área do tríceps braquial e +12,1% no quadríceps.

 

O mais interessante é que um outro grupo, além do grupo esteroide + exercício, também apresentou resultados significativos. Mas não foi o grupo exercício isolado. O grupo que apresentou o segundo lugar em ganhos de hipertrofia muscular foi o grupo que recebeu apenas o tratamento com administração de esteroides. E não levantou uma folha de papel sequer. Nesse grupo de esteroide sem treino, os ganhos de massa total foram de +3,5kg, sendo 3,2kg de massa muscular, com um aumento de +10,6% na área do tríceps e +6,3% na área do quadríceps.

 

Os grupos que só fizeram exercício ou que não fizeram nada, não apresentaram mudanças significativas.

 

Vamos deixar algo aqui bem claro: não estou querendo dizer que o exercício bem orientado, associado a uma dieta bacana não traz resultados. Aqui nesse estudo o tempo de duração foi relativamente curto (10 semanas) e provavelmente os efeitos do tratamento com exercício isolado começasse a mostrar resultados após um período mais prolongado de intervenção. O que estou querendo dizer é que o poder do esteroide de produzir aumentos de massa muscular é muito superior ao de qualquer tipo de exercício ou dieta. Mas muito superior.

 

Outro fato curioso: apesar da dosagem utilizada já ser supra fisiológica, ou seja, pelo menos 6x maior do que a dosagem utilizada para reposição hormonal (100mg/semana), ela é muito menor do que a dosagem “prescrita” nas academias. Uma rápida busca na web, em sites que disponibilizam modelos de utilização desse tipo de substancia, indicam geralmente a associação de uma dosagem similar à prescrita nesse estudo (500 a 600mg/semana), porem geralmente somada a mais dois, três ou até quatro outros tipos de medicamentos.  Fica fácil entender o motivo pelo qual a velocidade dos ganhos acaba sendo tão acelerada nos seus usuários.

 

Pra finalizar esse post eu gostaria de deixar claro que não estou aqui julgando ninguém, e acredito que cada um é dono de seu próprio corpo e faz com ele o que bem entender. O que realmente me incomoda é a hipocrisia de defender que o resultado, ou mesmo a maior parte dele, vem de como você treina e como você come... e não de como você injeta. Por favor, né!?

 

E você, acha mesmo que esteroide determina ou só ajuda nos ganhos? Comente aqui e marque seu amigo “bombado”.

 

Abraços

 

Link do artigo

 

Bhasin S, Storer TW, Berman N, Callegari C, Clevenger B, Phillips J, Bunnell TJ, Tricker R, Shirazi A, Casaburi R. The effects of supraphysiologic doses of testosterone on muscle size and strenght in normal men. N Engl J Med. 1996 Jul 4;335 (1): 1-7.

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM199607043350101

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