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Menos é mais nas salas de musculação

Aplicar conhecimentos científicos na montagem dos treinos não só aumenta a eficiência dos resultados, como também a dinâmica da sala

No ultimo ano eu fui contratado por duas grandes academias, a Carpe Diem (Curitiba) e a Les Cinq (São Paulo) para realizar um trabalho bem audacioso: aproveitar melhor o tempo dos professores e alunos na sala de musculação.

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E como as duas academias são referencia (senão as melhores) em suas respectivas cidades, fiquei bem empolgado com a tarefa, principalmente porque sei que exigiria um trabalho de qualidade.

E não é muito fácil fazer mudanças. Em geral os professores já tem uma metodologia de trabalho, uma certa experiência e gostos pessoais, e mudar isso sempre gera algum conflito.

Entretanto, é evidente que reduzindo em 50% ou mais o tempo dos alunos nos equipamentos, a academia passa a ter mais rotatividade e ganha em qualidade de atendimento e rentabilidade.

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Reorganizando as rotinas nas salas de musculação

Foi muito interessante perceber que a demanda de ambas era a mesma. Os alunos permaneciam por muito tempo na sala de musculação e utilizavam pouco os outros serviços oferecidos pelo espaço.

Bom, como sou professor e pesquisador, a única exigência que fiz aos respectivos proprietários é que, tudo o que alterássemos na prescrição deveria ter embasamento cientifico, pois de achismos esse meio já está cheio.

A primeira coisa que percebi, é que os professores das academias estão dispostos sim a dar atenção aos alunos e montar treinos bastante elaborados. Porém, acredito que por excesso de zelo, em geral as atividades eram muito extensas e os alunos precisavam ficar muitas horas por semana para cumprirem o programado.

Sendo assim, comecei algumas mudanças e estabeleci metas para o novo modelo de prescrição.

Meta 1 - Tempo: Treinos não superiores a 30 minutos

A principio isso parece muito. Mas não é! 95% dos alunos que frequentam a sala de musculação não precisam realizar treinos que durem mais do que 30 minutos. E aí eu já estou contando tudo: aquecimento, parte principal e alongamento, se for necessário.

Quando cheguei com essa ideia os professores claramente ofereceram alguma resistência. Mas é claro que a ideia não vem sozinha, vem com uma capacitação e com pilhas e pilhas de material que sustentam a ideia.

E quando o argumento é bom, fica fácil de convencer a todos. Alguns mais antigos e que curtem treinos tradicionais até ficam receosos, mais acabam cedendo e percebendo que isso acaba trazendo inúmeras vantagens.

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Meta 2 - Intensidade: Ninguém mais vai ficar enrolando e apenas “passeando na sala”

A segunda coisa importante é entender que o que realmente conta, em qualquer tipo de treino de musculação, é a intensidade.

E isso já tá mais do que claro na literatura. Você pode fazer drop-set, bi-set, pausa/descanso, super-set, pirâmide, series múltiplas, série simples... não interessa.

O que realmente conta é a intensidade com que os exercícios foram realizados. E que fique claro que intensidade não tem necessariamente a ver com carga, com o peso utilizado.

A intensidade pode ser aumentada de várias formas: reduzindo a velocidade, reduzindo os intervalos, aumentando o tempo em uma fase específica (concêntrica ou excêntrica), aumentando a amplitude de movimento, inserindo instantes com isometria, e mais milhares de opções.

Outra coisa importante, não é porque o aluno é idoso ou destreinado que não deve haver uma certa intensidade no treino. É claro que essa intensidade é proporcional ao nível de aptidão do indivíduo, mas quando o corpo não é desafiado, nada ocorre.

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Meta 3 – Exercícios: Poucos, mas para grandes grupos musculares.

Na verdade essa meta acaba ajudando a cumprir com as outras duas anteriores.

A ideia de se fazer um exercício para cada musculo ou para cada porção de um músculo é antiquada e pouco inteligente. Isso exige um tempo enorme e um esforço que não é necessariamente recompensado.

Sei que o pessoal mais antigo fica fazendo cara feia nessa hora, mas infelizmente (na verdade é FELIZMENTE) não tem nada em lugar nenhum que sustente que exercícios isolados te dão algo que exercícios mais globais não possam fornecer.

E se os professores começarem a PENSAR melhor na hora de escolher os exercícios, o número deles acaba sendo beeeeeeeeem menor. Por consequência, menos tempo na sala, mais alunos atendidos e com mais qualidade.

E se você faz menos exercícios, fica mais fácil sustentar uma intensidade maior, não é? E lembre, esse é o segredo...

Só essas alterações permitiram que os treinos fossem reduzidos quase que em 50% do tempo. É claro que existem uma série de detalhes que precisam ser observados, mas que eu acabo passando aos professores nos cursos de capacitação que eles recebem ao longo do período de implantação da nova metodologia.

Outras alterações conceituais envolveram a prescrição de exercícios intervalados de alta intensidade (o famoso HIIT) e avaliações realizadas de forma mais rápida, simples e frequente. E principalmente, avaliações que sejam úteis na prescrição.

Mas isso eu falo em uma outra postagem aqui no blog.

 

Se você se interessou em readequar a metodologia de sua academia para algo mais moderno, eficiente e inteligente, tanto técnica como comercialmente, entre em contato.

 

Grande abraço

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